O presidente da Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM), Henrique Carballal, afirmou que a Bahia busca avançar no processamento de terras raras e pretende instalar três plantas industriais voltadas à atividade. Em entrevista à rádio Lidder FM, de Irecê, nesta terça-feira (22), ele destacou a importância desses minerais para a tecnologia, a indústria e a transição energética.
Segundo Carballal, as terras raras são formadas por 17 elementos químicos metálicos encontrados na natureza e utilizados em diferentes áreas da indústria. Ele afirmou que o domínio das tecnologias de processamento desses minerais é estratégico para países que pretendem ampliar sua participação em cadeias tecnológicas.
“O primeiro é o seguinte: graças a essa mudança da CBPM, nós temos terras raras. São 17 elementos químicos metálicos. Esses elementos que você precisa separar, a China hoje tem a tecnologia para fazer isso. Nós estamos buscando desenvolver essa capacidade”, afirmou.
Carballal citou o avanço de tecnologias como veículos autônomos, robótica e equipamentos eletrônicos para destacar a presença desses minerais no cotidiano. Segundo ele, a utilização de terras raras tende a crescer à medida que novas tecnologias chegam ao mercado.
“A transformação na nossa vida com outros instrumentos que nós vamos utilizar, fruto da tecnologia que depende das terras raras, já está acontecendo. Possivelmente vai ser proibido o ser humano dirigir. Olha o que eu estou dizendo hoje”, declarou.
Bahia busca processamento dos minerais
O presidente da CBPM afirmou que a companhia trabalha para estabelecer parcerias destinadas à implantação de três plantas industriais na Bahia. A proposta, segundo ele, é criar etapas de processamento dentro do estado e ampliar o valor agregado dos minerais extraídos.
“Nós hoje estamos buscando uma parceria para trazer três plantas industriais para processamento de terras raras na Bahia. Uma nós faremos a modificação das terras raras, faremos o óxido e nós faremos a separação desses elementos químicos”, explicou.
Carballal afirmou que o projeto prevê a separação de sete elementos considerados de maior valor econômico.
“Na verdade, nós vamos separar sete elementos químicos, que são os mais importantes, são os mais caros, digamos assim, os que têm valor agregado maior”, disse.
Segundo o presidente da CBPM, a estratégia busca evitar que a Bahia apenas extraia os recursos minerais e envie a matéria-prima para processamento em outros países.
“Nós não queremos entregar as terras raras a nenhum país estrangeiro”, afirmou.
Minerais estratégicos e soberania
Carballal também relacionou o desenvolvimento da cadeia de terras raras à soberania nacional. Ele citou uma legislação federal sobre minerais críticos e estratégicos e afirmou que o Brasil precisa ampliar sua capacidade de processamento desses recursos.
O presidente da CBPM também destacou que as terras raras têm aplicações em setores como defesa, tecnologia e saúde.
Mineração e responsabilidade ambiental
Durante a entrevista, Carballal defendeu a atividade mineradora, mas afirmou que o setor deve cumprir regras ambientais e sociais.
“A gente tem que ser contra a mineração que não respeita a lei, que não respeita o ambiente, que não inclui as pessoas, que não garante o desenvolvimento pleno. Isso sim a gente tem que defender”, afirmou.
Ele também destacou a presença de minerais provenientes da atividade de mineração em produtos tecnológicos utilizados no dia a dia.
“Num telefone celular tem 57 elementos químicos que são retirados da mineração”, declarou.
Ao final, Carballal agradeceu ao governador Jerônimo Rodrigues pela confiança para comandar a CBPM e afirmou que a Bahia possui potencial em diferentes minerais associados à transição energética.
“A Bahia, além de terras raras, tem praticamente todos os minerais da transição energética e nós estamos com grandes projetos em curso que irão trazer muitos benefícios para o povo da Bahia”, concluiu.