O presidente da Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM), Henrique Carballal, destacou os investimentos e os impactos previstos com o projeto de exploração e processamento de fosfato em Irecê, no centro-norte da Bahia. Em entrevista à rádio Lidder FM, nesta terça-feira (22), ele afirmou que a iniciativa poderá reduzir a dependência do estado da importação de fertilizantes fosfatados e ampliar a produção nacional.
Segundo Carballal, a retomada do projeto da empresa Galvani foi viabilizada após uma série de medidas para solucionar entraves relacionados à área de exploração mineral. Entre as mudanças citadas estão alterações na legislação municipal, adequações na infraestrutura e tratativas com órgãos públicos.
“A mina estava completamente inviabilizada. A Galvani estava apoiando outras áreas do Ceará e outras áreas na Bahia. O prefeito, na época, conseguiu destravar isso, dialogou com todos os órgãos e estruturas do município e permitiu uma mudança no PDDU e na legislação”, afirmou.
Projeto prevê aproveitamento de resíduos
Carballal também destacou o modelo de exploração previsto para a área onde funciona o Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP). Segundo ele, após a retirada do minério, o local será recuperado e deverá receber um lago e estrutura de urbanização.
“A área onde se extrair o fosfato, que pega o CETEP, vai ser feita uma cava que, normalmente, quando a gente extrai o minério, a gente recupera a área. A ideia é que nessa área você construa um lago, canalize as águas pluviais e faça uma urbanização que permita às pessoas terem um espaço de convivência”, explicou.
O presidente da CBPM também afirmou que o projeto utilizará uma tecnologia destinada a separar o fosfato do calcário. Segundo ele, o resíduo resultante do processo poderá ser utilizado na agricultura.
Carballal afirmou ainda que a iniciativa conta com recursos para inovação tecnológica, incluindo financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Produção de fertilizantes
De acordo com o presidente da CBPM, a expectativa é de que o projeto produza uma parcela relevante dos fertilizantes fosfatados utilizados no estado.
“A Bahia se tornará independente da importação de fertilizantes fosfatados a partir de março do ano que vem”, declarou.
Carballal também destacou a importância do fosfato para a agricultura e relacionou a dependência brasileira de fertilizantes às variações nos preços dos alimentos.
“O fosfato é fundamental para a agricultura. Não existe agricultura sem os fertilizantes. O Brasil é dependente”, afirmou.
Segundo ele, o projeto em Irecê também terá relevância para outras regiões produtoras do país, diante da necessidade de ampliar a produção nacional de fertilizantes.
Investimentos e geração de empregos
Carballal afirmou que a implantação do empreendimento envolve investimentos em infraestrutura e contrapartidas para o município. Segundo ele, cerca de R$ 10 milhões estão sendo aplicados em obras de infraestrutura em Irecê como parte das medidas relacionadas à instalação da indústria.
O presidente da CBPM também citou a atuação do Instituto Galvani em iniciativas sociais na região e defendeu que projetos de mineração estejam associados a investimentos em áreas como educação, saúde, habitação e qualificação.
“Para nós da CBPM, a mineração, em primeiro lugar, tem que ser inclusiva. Se a riqueza sai do subsolo, as pessoas que estão no entorno têm que ter escola, têm que ter saúde, têm que ter habitação, têm que ter benefícios dessa riqueza que está sendo extraída”, afirmou.
Segundo Carballal, a previsão inicial de exploração, que era de 20 anos, está sendo ampliada para até 50 anos com a expansão da área do projeto. Ele também citou a possibilidade de pesquisas e exploração de outros minerais na região.
O presidente da CBPM estimou ainda a geração de R$ 20 milhões em impostos e R$ 25 milhões em massa salarial relacionados ao empreendimento.
“A mineração está crescendo, mas as pessoas precisam participar dela e entender um pouco a sua importância”, concluiu.