A produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teria sido financiada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro por meio do fundo Havengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado apontado como próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL).
Segundo a Polícia Federal (PF), Eduardo Bolsonaro seria responsável por orientar a gestão dos recursos destinados à produção do filme nos Estados Unidos. A investigação aponta ainda que o Havengate receberia US$ 24 milhões de Daniel Vorcaro, valor equivalente a cerca de R$ 122 milhões. Os repasses, porém, teriam sido interrompidos após a prisão do ex-banqueiro. As informações são do Valor Econômico.
Os dados foram divulgados após uma quebra de sigilo solicitada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e posteriormente tornada pública pelo ministro André Mendonça.
De acordo com a PF, o fundo Havengate foi criado originalmente para um empreendimento imobiliário de US$ 21 milhões, em 2020. A corporação cita informações publicadas pelo site The Intercept segundo as quais o fundo não possui propriedades registradas em seu nome.
Na representação apresentada pela PF para pedir a abertura de inquérito, a corporação afirma que a Calixsan Capital Management LLC, gestora do fundo e controlada por Paulo Calixto e Altieris Santana, cancelou os registros como gestora regulada de investimentos no Texas, em maio de 2021, e na Flórida, em setembro do mesmo ano.
Segundo a PF, o fundo permaneceu juridicamente ativo, mas sem atividade operacional pública por quase quatro anos. A situação teria mudado em fevereiro de 2025, quando o Havengate recebeu a primeira remessa vinculada ao financiamento do filme.
“O fundo permaneceu juridicamente ativo, mas operacionalmente inerte por quase quatro anos, sem qualquer atividade pública registrada — até receber, em 13/02/2025, a primeira remessa de US$ 2.000.000,00 proveniente da ENTRE INVESTIMENTOS para financiamento do filme”, afirmou a PF.
A corporação também apontou que a retomada das operações de um fundo originalmente criado para fins imobiliários passou a ser utilizada em remessas internacionais relacionadas à produção cinematográfica.
“A reativação de um fundo originalmente criado para fins imobiliários, dormente por anos, sem lastro em qualquer operação imobiliária ativa, como veículo de remessas internacionais vinculadas a uma produção cinematográfica, constitui circunstância objetiva que reforça a necessidade de apuração da compatibilidade entre o perfil do veículo financeiro utilizado e a destinação declarada dos recursos”, afirmou a PF na representação.
foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados