“O presidente Lula tem um desempenho inferior ao que tinha em 2022”, diz Lavareda

Foto: Divulgação
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O cientista político Antonio Lavareda afirmou, nesta segunda-feira (21), que as eleições estão se tornando mais acirradas em diferentes países e que esse padrão também começa a se consolidar nas disputas estaduais brasileiras. A avaliação foi feita durante o evento “Diálogos que Transformam”, promovido pela Associação Comercial da Bahia (ACB), em parceria com o LIDE Bahia e o portal Política Livre, no Palacete Tirachapéu, em Salvador.

Questionado sobre as disputas apertadas em estados do Nordeste, como Bahia, Ceará, Pernambuco e Alagoas, e se o fenômeno poderia representar um enfraquecimento do lulismo na região, Lavareda afirmou que o acirramento eleitoral é um movimento mais amplo.

“As eleições estão cada vez mais acirradas em todo o mundo. É muito difícil você ver hoje eleições nacionais que sejam definidas por margens muito elásticas”, declarou.

Segundo o cientista político, o Brasil estaria incorporando um padrão semelhante ao observado nas eleições dos Estados Unidos, caracterizado por disputas com diferenças menores entre os principais candidatos.

“Nós já ingressamos no Brasil desde algum tempo no padrão norte-americano. Nesse padrão norte-americano você nunca vê diferença de 10 pontos percentuais entre o candidato e o outro”, afirmou.

Como exemplo, Lavareda citou a eleição presidencial norte-americana de 2024, vencida por Donald Trump contra Kamala Harris. Segundo os resultados oficiais compilados pela Comissão Eleitoral Federal dos Estados Unidos (FEC), Trump recebeu 49,80% dos votos populares, contra 48,32% de Harris, diferença de aproximadamente 1,5 ponto percentual.

“É verdade que ela foi surpreendente, a vitória, porque pela primeira vez ele ganhou no voto popular, ele não havia sido vitorioso no voto popular em 2016, mas a vitória foi por apenas 1,4% dos votos. Então é uma eleição super apertada”, disse Lavareda.

Na avaliação apresentada pelo cientista político, o mesmo padrão de disputas mais estreitas estaria sendo observado no Brasil, inclusive nas eleições estaduais. Ele ponderou, porém, que o fenômeno não deve ocorrer de maneira uniforme em todos os estados.

“Ele não vai se verificar em todos os lugares”, afirmou.

Lavareda citou São Paulo como exemplo de uma disputa que, segundo os cenários apresentados por ele, poderia apresentar uma diferença maior entre os candidatos. Também mencionou Santa Catarina e o Distrito Federal.

“Em São Paulo há uma grande possibilidade de o governador Tarcísio marcar uma diferença ali de 15 pontos, 15 a 20 pontos em relação ao candidato Haddad. Em Santa Catarina também haverá uma margem razoável. Talvez em Brasília, no Distrito Federal, haja possibilidade da governadora Celina Leão ganhar no primeiro turno”, declarou.

Para Lavareda, entretanto, a tendência predominante é de disputas mais apertadas e, consequentemente, de maior ocorrência de segundos turnos.

“Mas na maioria dos casos as eleições tendem a ser mais acirradas e naturalmente produzindo segundo turno”, afirmou.

Desempenho de Lula

Ao ser questionado especificamente sobre um possível enfraquecimento do lulismo no Nordeste, Lavareda fez uma comparação entre o desempenho atual do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aquele registrado no mesmo período da eleição de 2022.

“O presidente Lula, nesse momento, tem um desempenho inferior ao que tinha nesse mesmo momento em 2022”, afirmou.

O cientista político, no entanto, ressaltou que a tendência ainda precisará ser confirmada ao longo da campanha.

“Vamos confirmar ou não essa tendência, mas o que pode ser dito é que nesse momento que nós conversamos, o desempenho do presidente Lula é inferior ao desempenho que ele marcava, que ele obtinha à mesma altura quatro anos atrás”, disse.

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