O senador Rogério Marinho (PL-RN) criticou a política fiscal do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que o aumento de impostos e taxas compromete o poder de compra dos brasileiros. Em entrevista exclusiva ao JG, o parlamentar classificou a atuação do Executivo como um “Robin Hood às avessas” e cobrou medidas para conter o crescimento das despesas públicas.
Ao comentar o peso das emendas parlamentares no orçamento, Marinho concordou com a necessidade de discutir o tema e defendeu que os três Poderes da República estejam dispostos a rever prerrogativas para melhorar a situação das contas públicas. Para o senador, a responsabilidade pelo ajuste fiscal precisa ser compartilhada entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
“Cada um dos Poderes da República tem que ter a coragem de sentar-se numa mesa de negociação e abrir mão de determinadas prerrogativas para chegarmos, por exemplo, a uma questão fiscal que equalize ou melhore as condições das contas públicas do Brasil”, afirmou.
Apesar de reconhecer a necessidade de discutir o orçamento do Congresso, o senador direcionou críticas à condução econômica do governo federal. Marinho questionou declarações de integrantes do Executivo sobre a prioridade dada ao ajuste fiscal após as eleições e afirmou que a gestão federal tem apresentado orçamentos com despesas subestimadas e receitas superestimadas.
O parlamentar também mencionou a apresentação de R$ 60 bilhões em despesas após o envio da proposta orçamentária e criticou o que classificou como uma sequência de medidas de aumento da arrecadação. “Nós estamos vendo um governo que, há cinco anos, apresenta orçamentos em que subestima as despesas e superestima as receitas. E qual é o resultado? Novos impostos, novas taxas que sobrecarregam a sociedade brasileira”, declarou.
Na avaliação de Marinho, mesmo que um ajuste fiscal mais amplo não seja possível, o governo deveria, ao menos, frear o crescimento dos gastos públicos. O senador afirmou que a política de arrecadação adotada pelo Executivo acaba transferindo o peso das contas para a população.
“Temos a responsabilidade de entender que nós não podemos ser Robin Hood às avessas, que dá com uma mão e tira com as duas, fragiliza o poder de compra da população e destrói o futuro da população brasileira”, concluiu.