O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), subiu o tom contra a concessionária responsável pela distribuição de eletricidade no estado durante entrevista concedida à rádio Cidade FM, de Luís Eduardo Magalhães, nesta segunda-feira (8). No ar na macrorregião Oeste, o chefe do Executivo baiano cobrou publicamente o cumprimento das obrigações contratuais por parte da Neoenergia Coelba, destacando que a atração de novos investimentos industriais e agrícolas para o cerrado e o semiárido depende de forma crucial de uma infraestrutura energética robusta. Jerônimo argumentou que o crescimento comercial e imobiliário de polos regionais exige insumos básicos imediatos — como água potável, regularização fundiária e energia — e sinalizou que a gestão estadual adotará uma postura de fiscalização rigorosa, sem espaço para concessões ou lentidão administrativa.
O governador apontou um déficit histórico de investimentos na rede de transmissão da Bahia, sustentando que o fornecimento de energia na região flertou com cenários de saturação devido à ausência de obras estruturantes nas últimas décadas. Jerônimo lembrou que a concessão do sistema elétrico estadual foi renovada recentemente e alertou que a posição do Palácio de Ondina será de cobrança ostensiva junto à operadora. Sob a ótica do gestor, o alinhamento político com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre portas para a atração de capital internacional, mas o estado corre o risco de perder competitividade se os investidores convidados depararem-se com a escassez de carga energética para rodar novas plantas fabris e aduções de água.
"Eu espero que a operadora da energia do estado cumpra seu papel e cumpra a sua responsabilidade, porque até agora não cumpriu. Foram 30 anos e não fez o dever de casa, tanto que chegamos a um ponto quase de colapso porque não temos energia suficiente. Eu, na condição de governador, tenho que defender os interesses dos baianos e baianas. Recentemente foi renovada a concessão do sistema elétrico baiano, e eu espero que a Neoenergia cumpra seu papel, porque não vai ter moleza de ficar com muita reunião. Não devemos nada a nenhuma concessionária e o Estado vai participar cobrando que os compromissos sejam cumpridos", disparou o governador Jerônimo Rodrigues.
Para além das críticas à distribuidora de energia, Jerônimo Rodrigues traçou uma linha do tempo sobre a evolução das matrizes energéticas na Bahia para posicionar o estado na vanguarda da transição ecológica. O petista relembrou o papel de seus antecessores no mapeamento dos recursos naturais baianos, destacando que a gestão de Jaques Wagner elaborou o primeiro mapa de potencial eólico do estado, enquanto o governo de Rui Costa atualizou os estudos voltados à energia solar. O atual governador afirmou que sua gestão foca agora na consolidação da bioenergia (gerada a partir de biomassa rural) e no desenvolvimento de projetos de hidrogênio verde, anunciando a inauguração em breve de uma grande unidade industrial voltada ao setor de renováveis para descarbonizar a economia e baratear os custos de produção no campo.
"O Oeste ficou de fora dos investimentos nacionais em estados básicos e a energia é uma delas. Só agora, com a chegada do presidente Lula, é que a gente começa a despertar para energias outras: a energia do sol, do vento e a bioenergia. A Bahia já, já volta para inaugurar uma indústria grande de produção de energia. O Wagner fez o mapa da energia eólica e o Rui fez o mapa da energia solar. Eu, na minha chegada, estou tratando da bioenergia e do hidrogênio verde. A Bahia tem esse potencial e eu espero que a gente possa ter a garantia na parceria com o presidente Lula", concluiu o chefe do Executivo estadual.