O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), em entrevista concedida nesta segunda-feira (8) à rádio Cidade FM, de Luís Eduardo Magalhães, colocou a educação como o pilar central e transformador de sua estratégia de desenvolvimento social para o estado. O chefe do Executivo baiano defendeu a ampliação do regime de colaboração técnica e financeira com as administrações municipais, visando estruturar de forma integrada o atendimento educacional desde as creches até o ensino superior, além de detalhar as metas de expansão para a modalidade de ensino em tempo integral.
O governador pontuou que, embora as obras de infraestrutura viária, abastecimento de água e eletrificação rural sejam cruciais para a dignidade das comunidades no interior, o investimento contínuo nas redes de ensino constitui a única ferramenta capaz de promover mobilidade social, autonomia intelectual e capacidade empreendedora para as novas gerações.
"Uma estrada em uma comunidade é muito importante, melhora a qualidade de vida. Você levar energia, você botar água, você dar dignidade às pessoas. Mas só uma política transforma a cabeça nossa, que é a educação. Nenhuma outra faz. É a educação que dá à gente a capacidade de raciocinar, de fortalecer a nossa inteligência, de organizar as ideias, de ser empreendedor. Então, nós não podemos abrir mão. E a única forma que nós vimos é pegar na mão dos prefeitos e ajudar a fazer creche, que não é responsabilidade direta do Estado, e ajudar a construir um modelo onde o ensino fundamental 1 e 2 seja fortalecido, para que o estudante chegue ao ensino médio com capacidade de associar, operar e ingressar na universidade", defendeu Jerônimo Rodrigues.
Expansão do ensino superior e metas de tempo integral
Ao avaliar o histórico do ensino superior no território baiano, o governador relembrou o processo de descentralização e expansão das vagas públicas ocorrido nas últimas décadas por meio das universidades federais e estaduais, destacando a necessidade de continuar ampliando a oferta de cursos de graduação e pós-graduação para atender à demanda reprimida das diversas macrorregiões do estado, como o Oeste e o Vale do São Francisco.
Em âmbito estadual, o foco prioritário da gestão está concentrado na consolidação das escolas de tempo integral e na inserção da educação profissionalizante. Atualmente, a rede estadual conta com cerca de 700 unidades escolares operando sob esse modelo de jornada ampliada, que oferece três refeições diárias e atividades complementares no contraturno pedagógico.
"Garantir a escola de tempo integral é o foco. Nós já temos 700 escolas da rede estadual oferecendo tempo integral. O adolescente chega de manhã, tem o café da manhã, vai para a sala de aula, almoça e, de tarde, continua na escola para fortalecer sua aprendizagem, fazer ciência e cultura. Quanto mais tempo o jovem fica na escola, mais ele tem chance de aprender e mais fica longe do crime e das forças negativas do crime organizado. Acaba sendo, também, um elemento de segurança pública, preservando a juventude em um ambiente seguro. Nossa meta é que a rede inteira do Estado tenha educação profissional e em tempo integral. Desejo pegar na mão dos prefeitos para que isso também aconteça na rede municipal, desde a creche e o fundamental. Aí a gente deixa esse Estado cada vez mais protegido", concluiu o governador.