O presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia (ACB), Paulo Cavalcanti, fez uma análise contundente sobre a relação entre o setor produtivo e o poder público nesta quinta-feira (19). Questionado sobre o clima de hostilidade e a "demonização do lucro" atribuída ao cenário político nacional, Cavalcanti evitou o embate partidário direto, focando na necessidade de auto-organização da categoria. "Não é questão de ser de direita ou de esquerda. A ciência política define isso como classe de pressão. É exatamente onde você vai expressar suas vontades e necessidades", defendeu.
Para o dirigente, o empresariado brasileiro padece de uma baixa representatividade institucional, o que enfraquece sua voz nas decisões de Estado. Cavalcanti revelou um dado preocupante: menos de 10% das pessoas jurídicas no Brasil são associadas a entidades de classe. "Enquanto o empresário fica só reclamando e não se associa, a gente não consegue avançar. Precisamos de união entre confederações, sindicatos e associações para mostrar nossa vontade. Representamos 16 milhões de pessoas, imagine a força que teríamos", pontuou.
A proposta central de Cavalcanti para as eleições de 2026 e para o futuro do país é a implementação de uma "campanha nacional" de inteligência e consciência cidadã. Ele criticou a postura de desânimo que leva empreendedores a buscarem alternativas fora do país em vez de lutar por mudanças internas. "A agenda mais fácil hoje do empresário é querer fugir para o Paraguai. Não é disso que precisamos. Precisamos acreditar no que é a democracia, estudar sobre isso e ter sentimento de pertencimento ao nosso país", afirmou.
Ao finalizar, o presidente do Conselho Superior da ACB reforçou que a escuta ativa por parte dos políticos só será conquistada através de uma sociedade civil organizada e técnica. Ele acredita que o papel do setor produtivo vai além de gerar empregos; deve ser o de guardião da produtividade e da eficiência pública. "Para que qualquer político possa representar essa vontade, a gente precisa saber se organizar e saber como pressionar. O caminho é a consciência cidadã participativa e transformadora", concluiu Cavalcanti.