O presidente da União dos Municípios da Bahia, Wilson Cardoso, destacou nesta terça-feira (24) a atuação conjunta de órgãos de controle e entidades municipalistas no combate a gastos excessivos com cachês de artistas em festas públicas. Em entrevista à Rádio Metrópole, ele comentou a recente nota conjunta emitida pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, pelo Tribunal de Contas do Estado da Bahia e pelo Ministério Público da Bahia, que trata de irregularidades e valores considerados abusivos em contratações artísticas.
Segundo Wilson Cardoso, a iniciativa é resultado de uma mobilização liderada por associações municipalistas do Nordeste, preocupadas com a escalada de cachês e a pressão enfrentada por prefeitos para contratar atrações de alto custo. “Quando um município vizinho contrata uma banda por R$ 1 milhão, a população acaba pressionando os demais gestores a fazer o mesmo, mesmo sem condições financeiras”, afirmou.
Como forma de conter os excessos, a UPB e outras entidades criaram uma tabela de referência para cachês, voltada especialmente para municípios que dependem de transferências constitucionais. A medida busca estabelecer parâmetros de responsabilidade fiscal na realização de eventos festivos. Cardoso destacou que, em alguns estados, como Pernambuco, os limites definidos são ainda menores do que os adotados na Bahia, girando em torno de R$ 150 mil.
O presidente da UPB ressaltou que a proposta não é impedir a realização de festas, mas garantir que os recursos públicos sejam utilizados de forma equilibrada, priorizando áreas essenciais. “Não é razoável que municípios com carências básicas, como moradias precárias e falta de saneamento, invistam valores elevados em eventos”, disse.
Ele também enfatizou a união dos prefeitos baianos em torno da pauta. “Os 417 prefeitos se uniram mais uma vez. É uma vitória importante para garantir mais responsabilidade com o dinheiro público e direcionar recursos para onde realmente são necessários”, afirmou.
A discussão sobre os gastos com festas populares tem ganhado força nos últimos meses, especialmente diante de denúncias de contratações milionárias em cidades com baixa arrecadação. A expectativa é que a atuação conjunta de órgãos de controle e gestores municipais contribua para maior transparência e equilíbrio nas contas públicas.