Os brasileiros decidirão, no próximo domingo (4), entre manter o país com a economia aquecida, emprego em alta e ampliação dos investimentos públicos ou apostar no modelo econômico defendido pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), que tem como referência a gestão do presidente da Argentina, Javier Milei. A comparação entre os dois projetos para o país foi feita pelo candidato ao Senado do Time de Lula, Rui Costa (PT), na tarde desta terça-feira (29), durante agenda, em Salvador, com o presidente Lula, o governador Jerônimo Rodrigues e o senador Jaques Wagner, candidatos à reeleição.
A declaração ocorre no mesmo dia em que o IBGE divulgou que o desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, menor taxa para o período desde o início da série histórica, em 2012. O Brasil também chegou ao recorde de 103,5 milhões de pessoas ocupadas. “É preciso perguntar qual modelo queremos para o Brasil. Enquanto a oposição apresenta Milei como referência, o governo Lula está mostrando que é possível crescer, gerar emprego, aumentar a renda e investir no país”, afirmou Rui.
Na Argentina de Milei, o cenário é diferente. O desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre deste ano e a produção industrial caiu 5% em julho. Levantamento da Fundar, centro de pesquisas da Argentina, aponta ainda o fechamento de mais de 31 mil empresas e a perda de 245,6 mil empregos formais no setor privado desde novembro de 2023.
Rui destacou que o controle dos preços não pode ser analisado isoladamente quando se discute a adoção de um modelo econômico. “Combater a inflação é fundamental, mas uma política econômica precisa ser avaliada pelo conjunto. Precisamos olhar emprego, renda, indústria, crescimento e investimento. O Brasil tem resultados concretos que mostram que é possível combinar responsabilidade econômica com desenvolvimento e inclusão social. É essa experiência que devemos aprofundar, e não simplesmente importar um modelo que tem produzido fechamento de empresas e perda de empregos formais na Argentina”, criticou.
Horas antes do ato com Lula, que acontece entre os bairros de Ondina e da Barra, Rui já havia lembrado as consequências da crise econômica enfrentada pelo Brasil nos governos Temer e Bolsonaro. “A consciência da transformação tem que ser transformada em militância, em ação. Porque, senão, depois a gente vai chorar o leite derramado. O Brasil viveu isso no pós-retirada da Dilma. E nós ficamos chorando o leite derramado por sete anos. O Brasil em recessão, perda de arrecadação”, disse em encontro com representantes de sindicatos.
Para o ex-ministro da Casa Civil e governador da Bahia por dois mandatos (2015 a 2022), os números atuais mostram o caminho que deve ser preservado. “O governo Lula recuperou políticas públicas, voltou a investir e colocou o emprego e a renda no centro da agenda econômica. Esse é o caminho que precisamos aprofundar, em vez de copiar modelos de outros países”, concluiu.