O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), criticou a postura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a derrota na eleição presidencial e afirmou que o parlamentar perdeu a oportunidade de assumir a liderança da oposição ao não reconhecer o resultado das urnas. A declaração foi feita nesta quinta-feira (29), durante entrevista à rádio A Tarde FM, em Salvador.
Para Jerônimo, a posição de Flávio contrasta com a de integrantes do próprio campo político, incluindo o partido ao qual o senador é filiado e governadores eleitos que reconheceram o resultado da disputa vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Ele perdeu a oportunidade de liderar a oposição, perdeu uma chance de fazer isso daqui. É não reconhecer um processo eleitoral legítimo. O partido reconhece, governadores eleitos reconhecem, e ele não reconhece”, afirmou.
Jerônimo compara Flávio a ACM Neto
Durante a entrevista, o governador também comparou a postura de Flávio à do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que disputou o governo baiano contra ele. Segundo Jerônimo, Neto não o parabenizou pelo resultado das eleições estaduais de 2022 e 2026.
“O candidato que concorreu comigo aqui não fez diferente. ACM, até hoje, nas duas eleições, nunca ligou para parabenizar pelo resultado da eleição”, declarou.
Jerônimo ainda criticou uma fala atribuída a ACM Neto após o primeiro turno, na qual o ex-prefeito teria afirmado que perdeu a eleição para Lula, e não para o governador baiano.
“Fez pior. ACM disse: ‘Eu perdi as eleições para Lula, não foi para Jerônimo’. É um desrespeito. ACM Neto perdeu as eleições para mim, para o professor Jerônimo”, rebateu.
Governador defende oposição com fiscalização e respeito à democracia
Apesar das críticas, Jerônimo afirmou que a oposição tem um papel importante na democracia, desde que exerça suas funções por meio da fiscalização, de denúncias e do acompanhamento das ações governamentais.
Para o governador, o debate político não deve comprometer os interesses nacionais nem estimular o questionamento infundado do processo eleitoral.
“Quem perdeu vai fazer sua oposição, vai fiscalizar, vai denunciar, mas vamos construir o conceito de nação. Não dá para jogar contra, apostar contra ou fazer qualquer atitude que não seja condizente com o nosso desejo maior”, declarou.
As críticas foram feitas após Flávio Bolsonaro divulgar uma carta na qual contestou o resultado da eleição presidencial e afirmou que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. O senador viajou para o país depois da derrota eleitoral e fez alegações de fraude sem apresentar provas que as sustentassem.
A declaração de Jerônimo reforça o embate político em torno do reconhecimento do resultado das urnas e do papel que a oposição deverá desempenhar no próximo período.