A jornalista e escritora Adriana Oliveira defendeu que a inteligência artificial (IA) seja utilizada como ferramenta de apoio à comunicação e à produção literária, sem substituir a experiência, a sensibilidade e a capacidade de reflexão humanas. A declaração foi feita durante um debate na Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), no Recôncavo Baiano.
Ao comentar os impactos da tecnologia no jornalismo e na literatura, a autora afirmou que, apesar da capacidade de processar grandes volumes de informação, a inteligência artificial não consegue reproduzir a subjetividade de cada indivíduo, marcada por sentimentos, percepções e experiências pessoais.
“Muita gente fala sobre como vai ser o jornalismo com a IA, ou se a galera vai deixar de pensar. Eu digo que não temo a IA, porque acho que nada substitui o olho no olho, o toque, o encontro. Nenhuma IA vai conseguir traduzir o meu olhar, o que eu sinto, o que eu penso, como eu enxergo uma situação. Por mais que a gente abasteça uma IA de informação, nunca vai ter a nossa emoção, o nosso sentimento”, avaliou Adriana.
Tecnologia como ferramenta de apoio
Para a escritora, o uso da inteligência artificial pode contribuir para otimizar tarefas e ampliar as possibilidades de produção, desde que seja acompanhado de senso crítico e cuidado. Ela também demonstrou preocupação com a possibilidade de as novas gerações se acomodarem diante da facilidade de acesso a conteúdos prontos.
“A gente tem que procurar usar ela como ferramenta positiva para economizar tempo, para ajudar a gente a enriquecer o nosso pensar. Isso é um exercício, um cuidado, principalmente pela facilidade, para que a nova geração não caia no acomodismo do pronto”, pontuou.