O ex-ministro e pré-candidato ao Senado, Rui Costa (PT), demonstrou forte entusiasmo e sentimento de realização pessoal durante a entrega das pistas principais da BA-649, no Sul da Bahia, nesta sexta-feira (3). Em tom de desabafo à imprensa, o petista afirmou que a conclusão do projeto tem um "sabor especial" devido ao histórico de boicotes políticos que a obra sofreu por parte das gestões federais anteriores, o que o obrigou, enquanto governador, a adotar uma manobra jurídica e administrativa para salvar a duplicação do trecho Ilhéus-Itabuna.
Rui Costa relembrou que a duplicação havia sido pactuada originalmente via convênio firmado entre o ex-governador Jaques Wagner e a ex-presidente Dilma Rousseff, utilizando verbas federais para intervir na BR-415. Segundo o pré-candidato, após o impeachment de Dilma, os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro cortaram os repasses financeiros. Ele sublinhou que a gestão de Bolsonaro foi além, emitindo uma proibição expressa para que o Estado não executasse a obra na calha federal. A saída encontrada por Rui foi transferir o traçado para uma área marginal do Rio Cachoeira cujos decretos de desapropriação estavam sob domínio do Estado, criando juridicamente a rodovia estadual BA-649 para dar andamento aos trabalhos com recursos 100% baianos.
Olhando para o cenário atual, o ex-ministro destacou que a sinergia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai acelerar novos projetos logísticos estruturantes na região. Ele confirmou que, nos próximos dias, será lançada a licitação para o Contorno Norte de Ilhéus, uma nova artéria viária de cerca de 90 quilômetros que interligará o fluxo vindo de Itabuna diretamente à zona industrial, ao complexo portuário do Porto Sul e às rodovias de destino a Itacaré e Uruçuca, livrando o trânsito pesado do centro urbano ilheense. O petista também listou intervenções paralelas na região, como a duplicação do trecho de Ferradas, a abertura de novas avenidas em Itabuna, a expansão do saneamento básico local (que atingiu 80% de cobertura de esgotamento) e aportes em hospitais, policlínicas, UPAs e maternidades.
"Essa obra tem um sabor especial porque ela seria executada com recurso federal, a partir de um convênio que Jaques Wagner assinou com a presidente Dilma. Infelizmente, depois que a tiraram do poder, tanto Michel Temer quanto Jair Bolsonaro cancelaram os recursos. E o governo Bolsonaro foi além: determinou que o Estado estava proibido de fazer a duplicação porque a estrada era federal. Como a desapropriação de toda a área havia sido feita por nós e continuava em nome do Estado, eu decidi que iria estadualizar o projeto para fazer com recursos próprios. Hoje estamos entregando a pista principal, restando apenas dois viadutos. Agora, com o presidente Lula, que é apaixonado pela Bahia, vamos fazer muito mais. Nos próximos dias vamos licitar o Contorno Norte de Ilhéus. Serão mais de 90 quilômetros de novas vias para fazer a conexão direta com o Porto Sul, a zona industrial, Itacaré e Uruçuca, sem que os motoristas precisem passar por dentro de Ilhéus. Estamos aplicando um volume gigantesco de investimentos neste complexo, incluindo novas avenidas em Itabuna, a duplicação de Ferradas, investimentos em hospitais, maternidades, UPAs e na rede de esgoto que já chega a 80%. Historicamente, o último grande investimento no Sul da Bahia havia sido o Ilhéus-Itabuna antigo com a construção da ponte pelo governo de Lomanto Júnior; depois disso, nenhum outro se compara a este volume que estamos injetando aqui, o qual, guardadas as proporções populacionais, supera até mesmo os aportes feitos em Salvador", declarou Rui Costa.