A Praça Riachuelo, no bairro do Comércio, voltou a ser palco nesta quarta-feira (11) de uma das mais tradicionais homenagens cívico-militares da Bahia. Promovida pela Associação Comercial da Bahia (ACB) e pela Marinha do Brasil, por meio do Comando do 2º Distrito Naval, a Cerimônia de Aposição Floral reuniu autoridades civis e militares, representantes do setor produtivo e da sociedade civil para celebrar os 161 anos da Batalha Naval do Riachuelo, considerada a Data Magna da Marinha.
Durante a solenidade, o comandante do 2º Distrito Naval, vice-almirante Gustavo Garriga, ressaltou a importância de preservar a memória dos homens que participaram de um dos episódios mais marcantes da história do país. "Passamos por esta praça todos os dias, mas é importante parar uma vez por ano para olhar este monumento e lembrar daqueles que escreveram uma das páginas mais marcantes da história do Brasil. O Anjo da Vitória, voltado para o mar, simboliza essa memória que precisa ser preservada. A Bahia teve participação decisiva naquele momento histórico e a Associação Comercial da Bahia mantém viva essa tradição há gerações", afirmou.
A presidente da ACB, Isabela Suarez, destacou que a homenagem também representa o reconhecimento ao papel desempenhado pela própria entidade durante a Guerra do Paraguai. "Hoje, 161 anos após a Batalha Naval do Riachuelo, a Associação Comercial da Bahia e a Marinha se reúnem para prestar homenagem àqueles que serviram ao país com coragem, compromisso e espírito de dever. A trajetória da ACB está ligada a esse marco histórico de forma concreta. Durante a Guerra do Paraguai, a associação acolheu militares feridos, pagou pensão às famílias dos combatentes e concedeu apoio às viúvas daqueles que perderam a vida no conflito", ressaltou.
A ligação da ACB com a data vai além da realização anual da cerimônia. Durante o conflito entre Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, ocorrido entre 1864 e 1870, a entidade participou ativamente das ações de apoio aos militares baianos enviados para a guerra. A Bahia foi a província brasileira que mais contribuiu com soldados para a campanha militar, fortalecendo a relação histórica entre o estado, a Marinha e a Associação Comercial.
Para Isabela Suarez, a preservação dessa memória é também uma forma de valorizar as instituições que ajudaram a construir o país. "Em 1870, nesta casa, foi aprovada a proposta de erguer um monumento em homenagem aos heróis daquela batalha. Poucos anos depois, ele foi inaugurado e permanece até hoje como uma demonstração do reconhecimento da sociedade baiana àqueles que defenderam a soberania nacional. Que esta cerimônia continue nos lembrando que uma nação se fortalece quando honra sua história, reconhece seus heróis e preserva suas instituições", afirmou.
Um monumento à memória nacional
Palco da cerimônia, o Monumento aos Heróis da Batalha do Riachuelo é um dos mais importantes marcos históricos de Salvador e simboliza a homenagem da sociedade baiana aos combatentes da Guerra do Paraguai. Erguido por iniciativa da ACB e inaugurado em 1874, o monumento ocupa lugar de destaque na Praça Riachuelo, em frente ao Palácio sede da entidade
Com 23 metros de altura, a obra reúne elementos que remetem à história do conflito e tem como principal símbolo o Anjo da Vitória, escultura posicionada no topo da estrutura e voltada para a Baía de Todos-os-Santos. Inspirada nas representações clássicas da Grécia Antiga, a imagem simboliza o triunfo brasileiro na Batalha do Riachuelo e a homenagem permanente aos homens que lutaram pela defesa da soberania nacional.
Ao encerrar a cerimônia, o vice-almirante Gustavo Garriga também destacou a importância da parceria histórica entre a Marinha e a ACB, além do papel das instituições na valorização do Centro Antigo de Salvador. "Somos vizinhos históricos. O Comando do 2º Distrito Naval está aqui ao lado e compartilhamos o desejo de ver esta região cada vez mais valorizada. A Marinha continuará parceira de todas as iniciativas que fortaleçam a importância histórica, econômica e cultural desta área da cidade", afirmou.