BNDES aprova R$ 87,2 milhões do Fundo Clima para projeto de restauração da Mata Atlântica na Bahia, liderado por Carbon2Nature Brasil e Biomas

Foto: Divulgação
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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 87,2 milhões para um projeto que vai restaurar, em uma primeira etapa, 1,3 mil hectares de Mata Atlântica – o equivalente a 1,8 mil campos de futebol – em oito municípios do sul da Bahia, com mais de 2 milhões de mudas de árvores nativas do bioma.

Os recursos do BNDES são oriundos do Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que apoia iniciativas de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, como a conservação, recuperação e gestão responsável de florestas com espécies nativas dos biomas brasileiros.

O projeto, batizado de Muçununga em homenagem a um ecossistema que só ocorre nessa região da Mata Atlântica, será implementado pela Biomas e pela Carbon2Nature Brasil - joint venture da Neoenergia com a Carbon2Nature, do grupo espanhol Iberdrola - em áreas da Veracel Celulose.

Por ser integralmente voltado à restauração com espécies nativas, o projeto contribuirá para o enfrentamento das crises climática e de biodiversidade e gerará oportunidades de renda e emprego e outros benefícios sociais na região. Serão, ainda, gerados créditos de carbono de alta integridade, com maior valor de mercado, o que será a fonte de receitas do projeto. A previsão é que a iniciativa gere, aproximadamente, 500 mil créditos de carbono em 40 anos.

Um dos diferenciais do Projeto Muçununga é a alta diversidade de espécies nativas empregadas na restauração da área: são mais de 100 espécies, contribuindo para o fortalecimento e a resiliência dos ecossistemas. O patamar está muito acima da média global — levantamento da MSCI Carbon Markets indica que apenas 1% dos projetos de restauração de nativas voltados à geração de créditos de carbono utilizam mais de 10 espécies. As áreas beneficiadas estão distribuídas nos municípios baianos de Belmonte, Eunápolis, Guaratinga, Itagimirim, Itapebi, Mascote, Potiraguá e Santa Luzia.

O projeto adota o conceito de stepping stones, em que os diversos polígonos de vegetação nativa recriados pela restauração florestal funcionam como pontos de conexão em uma paisagem bastante fragmentada. Esta ação é estratégica para a recuperação da Mata Atlântica nessa região, ao recriar habitats e facilitar conexões para espécies ameaçadas de extinção, como o crejuá (Cotinga maculata), o macaco-prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos), o mico-leão-de-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas), o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), o mutum-do-sudeste (Crax blumenbachii), a preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus) e o pau-brasil (Paubrasilia echinata).

“Recuperar e proteger a biodiversidade é essencial para enfrentar os eventos climáticos extremos. A restauração da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos do mundo e um dos mais degradados do país, é chave para uma maior qualidade de vida nesses territórios. Reviver a floresta com atenção às necessidades das comunidades locais, gerando emprego e renda, é o principal objetivo do Banco ao apoiar esse projeto, seguindo a determinação do presidente Lula”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

“O Fundo Clima do BNDES é um instrumento decisivo para viabilizar a sustentabilidade financeira de projetos de restauração florestal em larga escala no Brasil. O financiamento do projeto Muçununga reforça a consistência do modelo da Carbon2Nature e da Neoenergia e nos permite acelerar nosso pipeline de iniciativas e investimentos no país, ampliando a remoção de emissões, a preservação da biodiversidade e a geração de benefícios sociais relevantes para as comunidades locais, como empregabilidade e fortalecimento da organização comunitária”, destaca o CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui.

Ainda segundo o executivo, o projeto é uma demonstração clara do compromisso da companhia em ampliar os benefícios ambientais e a qualidade de vida especialmente em regiões onde a Neoenergia atua, como o estado da Bahia – onde a empresa opera com distribuição, geração e transmissão de energia.

“O apoio do BNDES, por meio do Fundo Clima, é decisivo para viabilizar e dar escala aos projetos de restauração florestal no Brasil. Assim como a infraestrutura, esse setor é intensivo em capital e exige financiamento de longo prazo. O país reúne ativos únicos: rica biodiversidade, conhecimento técnico no plantio de florestas e grande quantidade de terras aptas à restauração. Nesse contexto, mecanismos financeiros adequados são essenciais para consolidar o país como referência global em soluções baseadas na natureza”, afirma Fabio Sakamoto, CEO da Biomas.

O Projeto Muçununga também tem como propósito gerar valor compartilhado para as comunidades do entorno, que participaram ativamente da construção coletiva das iniciativas por meio de oficinas colaborativas. Ao todo, 14 comunidades locais serão beneficiadas com ações voltadas ao bem-estar, à geração de renda, à melhoria da infraestrutura e ao fortalecimento comunitário, entre outras frentes. Esse compromisso com as pessoas reforça o papel da restauração ecológica como uma solução capaz de combinar, de forma integrada, benefícios climáticos, ambientais e sociais.

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