Augusto Coutinho critica "movimento político" do governo e detalha impasse sobre tarifa de entregadores

Foto: Divulgação
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O deputado federal e líder do Republicanos na Câmara, Augusto Coutinho (PE), subiu o tom nesta quinta-feira (26) ao comentar a movimentação do governo federal em torno da regulamentação do trabalho por aplicativos. Relator da matéria na Câmara, Coutinho classificou a recente apresentação de um relatório pelo Executivo como uma tentativa de protagonismo político, afirmando que as sugestões já constavam em seu próprio parecer.

"O governo apresentou um relatório que diz tudo o que a gente já dizia no nosso. Não muda nada. Acho que é muito mais um movimento político do governo do que propriamente uma inovação. Inovação não tem nenhuma. Tudo o que o governo quer, a gente já incluiu no nosso relatório. O que resta agora é votar", disparou o parlamentar durante o evento de filiação de Leo Prates em Salvador.

Coutinho detalhou as diferenças de abordagem entre as categorias de motoristas e entregadores. No caso do transporte de passageiros, ele defende que a regulação deve focar na transparência dos algoritmos e na limitação das taxas de intermediação cobradas pelas plataformas, evitando a interferência direta no preço das corridas, que pertence à esfera privada.

"A questão do transporte é do privado. Não tem como o poder público regular. O que podemos fazer é limitar o percentual que a operadora cobra de intermediação, que é o que estamos fazendo. No caso dos entregadores é diferente, eles estão querendo uma tarifa mínima e nós temos toda a sensibilidade a isso", explicou.

O ponto de maior tensão, segundo o relator, é o valor dessa tarifa mínima para o delivery. Enquanto o governo — representado pelo ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) — sinalizou uma proposta de R$ 10 por entrega, Coutinho mantém a cautela para não inviabilizar o serviço para o consumidor e para o setor de bares e restaurantes.

"O problema é que não podemos fazer uma tarifa que venha a encarecer o serviço para o consumidor final. Temos de ter esse cuidado para que o projeto avance com direitos, mas não onere o consumidor nem atrapalhe os restaurantes e lanchonetes, que hoje têm no delivery um mercado substancial", concluiu o líder do Republicanos. A expectativa é que o projeto, que cria a categoria de "trabalhador de plataforma", seja levado ao plenário da Câmara até a primeira quinzena de abril.

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