A reta final da eleição na Bahia foi marcada, segundo ACM Neto (União Brasil), por uma escalada de ataques que deverá chegar aos tribunais. Ao votar neste domingo (4), em Salvador, o candidato ao governo estadual afirmou que pretende adotar medidas judiciais contra acusações feitas por adversários e classificou a ofensiva como resultado do que chamou de “desespero” do grupo governista.
Neto afirmou que passou o dia em contato com prefeitos, deputados, candidatos e lideranças políticas e disse ter recebido avaliações positivas sobre sua campanha no interior. Na conversa com jornalistas, porém, o candidato concentrou parte das críticas no tom adotado pelos adversários nos últimos dias.
“Acabou com os meus adversários recorrendo à baixaria, a mentiras, a acusações caluniosas, tanto que nós vamos ter que responder com processos judiciais para buscar o estabelecimento da verdade.”
A declaração ocorre em meio à disputa entre Neto e o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que busca a reeleição. Nas últimas semanas, os dois grupos passaram a trocar acusações envolvendo o chamado caso Banco Master. Neto nega irregularidades e afirma que sua relação com a instituição foi exclusivamente profissional.
“Fruto do desespero”, afirma candidato
Ao comentar o comportamento dos adversários, ACM Neto atribuiu os ataques ao receio de uma mudança no comando do governo baiano. O candidato afirmou que, em sua avaliação, o grupo que está à frente do Executivo estadual há duas décadas estaria reagindo à possibilidade de perder o poder.
“Tudo isso é fruto do desespero de um grupo que tá há 20 anos no poder, que hoje se acha dono do governo da Bahia e que tá desesperado ao ver que esse poder vai mudar.”
Neto também associou esse cenário ao que chamou de desejo de renovação por parte dos baianos. A afirmação, no entanto, corresponde à avaliação do próprio candidato sobre o ambiente eleitoral e não a uma constatação independente sobre o comportamento do eleitorado.
O episódio envolvendo o Banco Master se tornou um dos principais pontos de confronto entre os dois campos políticos durante a campanha. Reportagem da Folha de S.Paulo registrou que uma proposta de delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria citado Neto e Antônio Rueda, presidente do União Brasil. A proposta, contudo, foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Neto nega qualquer irregularidade e afirma que os pagamentos recebidos por uma empresa ligada a ele foram decorrentes de serviços de consultoria regularmente prestados.
Em entrevista anterior, o candidato já havia criticado a divulgação do material e questionado o momento em que o conteúdo veio a público. “Surgiu um documento sem autoria, que ninguém sabe quem produziu, por que foi vazado a 20 dias da eleição, com o claro propósito de interferir no processo eleitoral”, declarou na ocasião.
Candidato mantém expectativa de vitória
Apesar das críticas ao tom da campanha, ACM Neto demonstrou confiança no resultado das urnas. Antes de votar, afirmou acreditar que a disputa poderia ser definida ainda no primeiro turno.
“Essa eleição tem tudo para ser resolvida hoje e nós estamos confiantes de que poderemos sair vitoriosos ainda nesse domingo. É a nossa expectativa.”
O candidato também destacou a movimentação política no interior e disse esperar um desempenho capaz de alterar o resultado em relação à eleição anterior. Segundo ele, as avaliações recebidas de prefeitos e lideranças apontavam para uma disputa competitiva fora da capital, embora tenha ressaltado que o resultado só seria conhecido após a apuração.