O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta segunda-feira (7) uma investigação ampla sobre os fatos que provocaram uma nova crise envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o governador, a Corte precisa responder às suspeitas com transparência e evitar qualquer postura corporativista.
A declaração foi dada após um encontro com obreiros da Igreja Mundial do Poder de Deus, no Brás, em São Paulo. Ao ser questionado sobre manifestações e pedidos de apoio ao ministro André Mendonça, Tarcísio afirmou que a mobilização demonstra uma reação da sociedade diante do atual cenário institucional.
“De certa forma, o André Mendonça surge contra isso e por isso ele tem contado com as orações e com a solidariedade. Então é uma pessoa que hoje conta com um amplo apoio popular”, afirmou.
Na avaliação do governador, a resposta do Supremo diante da crise deveria ser marcada pela união em torno da apuração dos fatos, e não pela proteção de integrantes da própria instituição. Tarcísio fez a cobrança sem mencionar nominalmente o ministro Alexandre de Moraes.
“O que você espera do Supremo depois de uma situação dessa? Não que o Supremo se divida para se proteger. A gente espera que o Supremo se una para apurar”, declarou.
A fala ocorre após a divulgação, na terça-feira (1º), de trocas de mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Na mesma data, André Mendonça determinou a retirada do sigilo do caso.
Tarcísio também afirmou que a recuperação da confiança nas instituições passa necessariamente pela divulgação dos fatos e pela responsabilização de eventuais envolvidos. Para ele, o silêncio não seria suficiente para superar o desgaste.
“A credibilidade não volta no silêncio e nem no corporativismo. Ela volta na transparência, ela volta na apuração, ela volta na responsabilização”, disse.
Questionado sobre os atos de apoio a Mendonça previstos para o feriado da Independência, o governador interpretou as manifestações como um sinal de insatisfação com o funcionamento das instituições brasileiras.
“Quando as pessoas estão manifestando o apoio ao André Mendonça, elas estão dizendo: ‘Chega, não aguento mais, a gente quer realmente um movimento de apuração, a gente quer que isso seja passado a limpo’”, afirmou.
O governador ainda defendeu que as regras sejam aplicadas indistintamente a autoridades e agentes públicos, independentemente do cargo ocupado.
“A lei tem de alcançar banqueiro, tem de alcançar ministro do Supremo, tem de alcançar senador, tem de alcançar governador, tem de alcançar presidente da República. A lei é para todos”, declarou.
O encontro no Brás também reuniu outras figuras da direita brasileira. Participaram da agenda o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, e o candidato ao Senado por São Paulo pelo PP, Guilherme Derrite.