O ex-governador da Bahia e pré-candidato ao Senado pelo PT, Rui Costa, voltou a criticar a gestão da saúde em Salvador durante entrevista concedida à imprensa nesta quinta-feira (9), no PGP em Jequié. Ao responder a questionamentos sobre comparações entre a capital baiana e o restante do estado, Rui afirmou que utiliza como referência outras capitais brasileiras com perfil semelhante.
Segundo o petista, a comparação não é “desleal”, como sugerido por um jornalista, porque leva em consideração municípios com população e arrecadação equivalentes.
“Não é desleal. Eu estou comparando Salvador com Recife. Recife tem uma receita menor que Salvador e tem oito hospitais. Comparei Fortaleza com Salvador. A população é a mesma, a arrecadação é a mesma. Lá tem dez hospitais, em Salvador tem dois”, afirmou.
Rui também criticou a estrutura da atenção básica na capital baiana. De acordo com ele, Salvador não possui policlínicas municipais e ainda apresenta um déficit significativo na cobertura de postos de saúde.
“Em Salvador não tem nenhuma policlínica. Tem 40% da população sem posto de saúde. Quem ficou em primeiro lugar na alfabetização infantil foi Fortaleza. Salvador ficou em último lugar”, declarou.
Durante a entrevista, o ex-governador defendeu que os municípios devem assumir maior protagonismo na oferta da saúde básica, argumentando que hospitais regionais precisam estar voltados para casos de maior complexidade.
“No resto do país, quem garante a saúde básica é o prefeito. Uma criança que cai da bicicleta ou uma pessoa que machuca um dedo é atendida em um hospital municipal. Aqui, acaba indo para o Hospital Prado Valadares. Não pode ser assim”, disse.
Rui Costa também afirmou que cidades de grande porte, como Salvador e Feira de Santana, deveriam ampliar a rede própria de hospitais municipais para reduzir a sobrecarga das unidades estaduais.
“O município de Salvador tem que ter mais hospitais. Feira de Santana, que é o segundo maior município da Bahia, deveria ter pelo menos um hospital municipal. O que não pode é quem não fez e não faz ficar criticando quem está fazendo. É essa a comparação que eu faço”, concluiu.