A repórter de política Carine Andrade, do site Política Livre, participou nesta quinta-feira (14) do 2º Encontro de Comunicação Legislativa da Bahia, realizado na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), em Salvador.
Durante o debate, ela abordou os desafios da cobertura de bastidor, a influência dos interesses políticos sobre a informação e os impactos da polarização no exercício do jornalismo.
Ao responder sobre a diferença entre uma informação de interesse público e uma pauta movida por interesse político disfarçado de interesse coletivo, a profissional destacou a complexidade do trabalho de apuração no bastidor da política.
“Jornalismo político é trabalhar perto do poder. E, para você ter fonte, precisa construir uma caminhada. Então existe uma engenharia muito grande para decidir até que ponto aquela informação tem interesse público ou está sendo usada para influenciar determinado cenário político”, afirmou a repórter durante participação no painel “O desafio da imparcialidade: Cobertura política em tempos de polarização extrema”.
Considerada uma das referências em jornalismo político da nova geração, Carine Andrade também falou sobre o papel do leitor diante do ambiente de polarização política e da crescente identificação ideológica de veículos de comunicação.
“Eu acho que o leitor precisa ter percepção sobre qual é o viés ideológico-partidário daquele veículo que ele está consumindo. Essa educação vem muito mais do leitor para o conteúdo do que o contrário. Se eu sou de determinado espectro político e consumo um conteúdo de outro viés, preciso fazer isso consciente de qual é a linha editorial daquele veículo”, avaliou.
Ela ainda citou que não considera errado que veículos possuam posicionamentos políticos, desde que isso fique claro para o público. “Hoje existe muito essa discussão sobre veículo X apoiar candidato A ou B. Isso não é errado. O importante é que isso fique transparente”, disse.
Ao tratar da atuação do jornalista político, Carine defendeu que a imprensa exerce naturalmente um papel de contraponto ao poder.
“Nós jornalistas fazemos oposição o tempo todo. A partir do momento em que você senta diante de uma fonte e começa a questioná-la, você está se opondo aquela pessoa. Isso é intrínseco a nossa profissão, não tem como mudar. O jornalista é, por si só, um questionador. O nosso papel é perguntar e não levantar a bola para a fonte chutar”, afirmou.
A repórter também citou o relacionamento do ex-presidente Jair Bolsonaro com a imprensa durante a pandemia da Covid-19 como exemplo das tensões entre políticos e jornalistas em ambientes polarizados.
“No início havia um encantamento porque ele falava muito com a imprensa. Mas depois ficou claro que ele gostava de falar com os profissionais que não o apertavam. Quando o jornalista passou a exercer esse papel mais crítico, começaram os ataques aos veículos e aos profissionais”, frisou.