O presidente da União dos Municípios da Bahia, Wilson Cardoso, fez um alerta nesta terça-feira (24) sobre a necessidade urgente de uma política nacional voltada ao atendimento de crianças neurodivergentes e atípicas no Brasil. Em entrevista à Rádio Metrópole, ele destacou a crescente demanda nos municípios e a dificuldade das prefeituras, especialmente as de pequeno porte, em atender essas necessidades.
Durante a conversa, Wilson Cardoso citou a realidade do próprio município, com cerca de 13,5 mil habitantes, onde mais de 360 crianças estão dentro do espectro de neurodivergência ou possuem necessidades atípicas. Destas, 196 já contam com laudos fechados, o que, segundo ele, exige a presença de monitores individuais em sala de aula.
“Cada uma dessas crianças precisa de um monitor. Isso significa que eu teria que colocar quase 200 profissionais nas escolas. Para municípios pequenos, isso se torna inviável”, afirmou.
O presidente da UPB ressaltou que a pressão da sociedade por mais estrutura, incluindo creches e suporte especializado, tem aumentado significativamente. No entanto, a capacidade financeira das cidades não acompanha essa demanda. “A cobrança é muito forte, mas os municípios não têm condições de arcar sozinhos com essa responsabilidade”, disse.
Wilson Cardoso defendeu a criação de uma política pública nacional que garanta suporte técnico e financeiro para atender essas crianças de forma adequada em todo o país. Segundo ele, o tema precisa ganhar prioridade na agenda política.
O dirigente também mencionou a mobilização de prefeitos, deputados e outras lideranças em torno do tema. Um encontro previsto deve reunir representantes dos 417 municípios baianos, com mais de 300 já confirmados. A ideia é usar o momento para pressionar parlamentares e governos estadual e federal.
“Queremos mostrar que há municípios pedindo socorro. Na Bahia, são pelo menos 258 nessa situação, e em todo o Brasil esse número é ainda maior. Precisamos garantir que as políticas públicas cheguem de forma plena a todos”, concluiu.