“O Flávio tá despencando, caindo nas pesquisas e o Lula tá subindo. E por que o Flávio tá caindo? Porque o povo tá conhecendo nesses dias mais o Flávio. O povo tá prestando mais atenção. Tá conhecendo e sabendo quem é ele”. A declaração foi feita pelo senador eleito Rui Costa (PT), nesta segunda-feira (19), ao comentar pesquisas eleitorais que apontam crescimento do presidente Lula e perda de apoio de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
Em entrevista à Rádio Caraípe FM, de Teixeira de Freitas, transmitida em rede para emissoras do Extremo Sul e da Costa do Descobrimento, Rui associou sua avaliação sobre o desempenho eleitoral do candidato do PL às relações políticas e pessoais de Flávio com o crime organizado no Rio de Janeiro. Entre os casos mencionados, destacou o de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do BOPE apontado em investigações como integrante do chamado Escritório do Crime, grupo de extermínio que atuava no estado.
Rui lembrou que Flávio concedeu uma homenagem a Adriano e empregou familiares dele em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Também recordou que o ex-policial morreu em 2020, durante uma operação policial realizada na Bahia, quando Rui era governador.
“É exatamente aquele grupo político retratado no filme Tropa de Elite”, comparou Rui Costa, ao comentar o ambiente político ao qual associa o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O pai do candidato do PL está, atualmente, em prisão domiciliar por liderar uma organização criminosa que tentou dar um golpe de estado para mantê-lo no poder após a derrota nas eleições de 2022.
*Tesouraço*
Na mesma entrevista, Rui também questionou a proposta de redução de despesas públicas defendida por Flávio Bolsonaro. O petista comparou o “tesouraço” de Flávio à política de cortes adotada pelo presidente argentino Javier Milei e manifestou preocupação com possíveis consequências para investimentos públicos, serviços e programas sociais.
Ao abordar os efeitos que uma política de cortes poderia provocar na Bahia, Rui relembrou dificuldades enfrentadas durante seus oito anos como governador, especialmente nas gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Segundo ele, o estado precisou recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a liberação de recursos de um empréstimo contratado junto ao Banco do Brasil. Ele também citou a suspensão de repasses federais para as obras do metrô de Salvador. Segundo o senador, os valores devidos pela União só foram repassados após o retorno de Lula à Presidência, em 2023.