O Bolsa Família deverá ocupar um lugar prioritário em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), segundo declaração feita pelo candidato nesta quinta-feira (8). Ao falar após a formalização do apoio do Podemos à sua candidatura no segundo turno, Flávio afirmou que políticas de transferência de renda não podem ser tratadas como uma medida secundária pela administração federal.
“O Bolsa Família tem de ser a primeira coisa que um governo faz pelas pessoas, e não a última.”
A declaração ocorre em meio à campanha do segundo turno da eleição presidencial e reforça uma posição que Flávio já havia apresentado anteriormente sobre a manutenção do programa. Em junho, o candidato afirmou que o benefício representa estabilidade para pessoas que já passaram por dificuldades financeiras e defendeu sua continuidade.
Candidato também fala sobre fim da reeleição
Durante o pronunciamento, Flávio voltou a defender o fim da possibilidade de reeleição para presidente da República. Segundo ele, a proposta já foi apresentada por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), da qual afirma ser autor.
O candidato declarou que pretende utilizar a força política de um eventual início de mandato para tentar aprovar a mudança no Congresso Nacional.
“Muito mais do que um compromisso, eu assinei a PEC, eu sou autor da PEC, e eu vou usar o capital político que um presidente recém-eleito tem também, para conseguir aprovar isso no Congresso, para que sirva para mim já, para mim já, no meu mandato.”
Flávio deixou em aberto se o mandato presidencial passaria a ter quatro ou cinco anos. Segundo ele, a definição dependeria do processo legislativo.
O candidato também afirmou que a eventual mudança alcançaria parentes próximos. Em referência ao pai, Jair Bolsonaro, disse que nenhum familiar poderia disputar a Presidência em 2030 caso ele próprio fosse eleito em 2026.
“Em 2030 nenhum parente meu pode ser candidato.”
Flávio critica modelo de reeleição
Ao justificar a defesa do fim da reeleição, Flávio voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O candidato associou a possibilidade de um segundo mandato à adoção de medidas com objetivos eleitorais e afirmou que pretende romper com esse modelo.
Flávio declarou ainda que não estaria interessado em permanecer no poder por meio de uma nova candidatura.
“Eu não disputo poder e, por isso, não me preocupo com a reeleição.”
A proposta, entretanto, ainda depende de aprovação pelo Congresso Nacional para entrar em vigor.
Campanha terá agenda no Nordeste
Flávio também comentou a estratégia para a reta final do segundo turno. O candidato afirmou que cumprirá compromissos no Rio de Janeiro durante o fim de semana e, posteriormente, pretende intensificar a agenda no Nordeste.
Ao falar sobre a região, destacou o desempenho eleitoral obtido no primeiro turno e disse considerar o Nordeste estratégico para sua campanha.
“Eu sempre disse que o Nordeste é a solução nesse Brasil.”
A declaração ocorreu no mesmo evento em que o Podemos oficializou apoio à candidatura de Flávio no segundo turno. A legenda se soma a outras siglas que anunciaram apoio ao candidato do PL após a primeira votação.
Outras propostas
Na mesma agenda, Flávio voltou a defender mudanças na reforma tributária e criticou o mecanismo conhecido como split payment. O candidato afirmou que pretende trabalhar com o Congresso para retirar a ferramenta, argumentando que ela poderia comprometer o capital de giro das empresas.
“Isso acaba ou impossibilita, inviabiliza a empresa ter um capital de giro.”
O split payment é um mecanismo previsto na reforma tributária para separar e recolher automaticamente os tributos no momento da liquidação financeira de uma operação. A implementação está prevista de forma gradual a partir de 2027.
A declaração sobre o Bolsa Família ocorre ainda um dia depois de a Jovem Pan publicar uma checagem sobre o plano de governo de Flávio. O documento apresentado pela campanha prevê a manutenção dos programas sociais existentes, embora não cite nominalmente o Bolsa Família nesse trecho.