O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), rebateu de forma contundente as declarações do governador Jerônimo Rodrigues (PT) a respeito da fila da regulação do sistema de saúde no estado. As declarações foram concedidas à imprensa nesta quinta-feira (27), durante a entrega da Comenda 2 de Julho ao empresário João Gualberto, na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).
Ao ser questionado sobre a postura do chefe do Executivo estadual, que reuniu prefeitos baianos e, em seguida, atribuiu às gestões municipais a responsabilidade pelos gargalos no atendimento de média e alta complexidade, Bruno Reis apontou falhas na condução da saúde pelo Estado e citou relatórios do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
"Jerônimo quer zerar a fila da regulação. Tem o TCE, auditores independentes que são responsáveis por analisar as contas do governo, e disse que aumentou em 115%. Ou seja, dobrou o tempo de espera. Aí ele vem e culpa os prefeitos", criticou o gestor soteropolitano.
Papel das Unidades de Pronto Atendimento e impactos nas cidades
O prefeito ressaltou que as redes municipais de grandes centros urbanos têm assumido uma carga acima de suas atribuições constitucionais para evitar tragédias maiores nas portas dos hospitais estaduais.
"Se não fosse o prefeito de Salvador, o prefeito de Feira de Santana, em grandes cidades que têm leitos de UTI, têm UPAs com salas vermelhas, para que os pacientes aguardem a regulação, essas pessoas estariam morrendo nas portas dos hospitais, nos corredores, nas macas. Agora, se você for nas nossas UPAs, vocês vão ver 350 pessoas aguardando a fila da regulação. Os dados apontam que em Feira de Santana morreram 700 pessoas ano passado à espera da fila da regulação", argumentou.
Bruno Reis encerrou suas declarações cobrando uma mudança de postura no planejamento e na priorização de casos graves por parte da gestão estadual:
"Então falta é governo, falta gestão, falta se apropriar dos problemas, ver qual é a melhor solução, como adotar estratégias para priorizar os casos mais graves e mais urgentes, dar apoio para os municípios poderem ter também leitos de UTI para cirurgias. Só que a gente não tem governador. Quem não tem governador, infelizmente, sofre as consequências."