“As mulheres têm de ser protegidas”: Cury amplia debate sobre feminicídio e defende tecnologia contra violência

Foto: Divulgação
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O candidato à Presidência da República Augusto Cury defendeu, neste sábado (29), durante entrevista à Rede Globo, o uso da tecnologia como ferramenta para aumentar a proteção de mulheres vítimas de violência e tentar evitar casos de feminicídio.

Questionado sobre a proposta de utilizar drones na proteção das mulheres e sobre quais evidências existem de que esse modelo poderia evitar mortes, Cury afirmou que sua ideia não se limita aos drones. Segundo ele, a principal proposta é criar um aplicativo com um botão de alerta capaz de acionar rapidamente as forças de segurança.

“Eu tenho proposto que nós temos que usar uma polícia muito mais rápida e proativa. E uma delas não é apenas o drone. É, em destaque, um aplicativo”, afirmou.

Botão de alerta para mulheres em situação de risco

De acordo com Cury, uma mulher que se sinta ameaçada ou esteja sofrendo violência poderia utilizar o aplicativo para pedir ajuda.

“Uma mulher, ela se sente ameaçada, violentada. Ela toca o dedo lá no botão de alerta. E é georreferenciado na delegacia mais próxima, para que o agente de segurança possa socorrê-la”, explicou.

A proposta foi questionada pela jornalista Renata Vasconcellos, que lembrou que o Brasil possui mais de 5 mil municípios e milhares de delegacias, muitas delas sem acesso adequado à internet.

Cury reconheceu que existem dificuldades de conexão em várias regiões, mas voltou a defender o uso da tecnologia para acelerar o atendimento.

“Você já pensou se tivesse um aplicativo com um botão de alerta georreferenciado?”, questionou.

Cury explica como funcionariam os drones

Durante a entrevista, o candidato também tentou explicar como os drones poderiam ser utilizados em situações de emergência.

Segundo Cury, em cidades com maior estrutura tecnológica, o equipamento poderia ser acionado a partir de uma delegacia e seguir rapidamente até o endereço indicado.

“Você já pensou se nós usávamos tecnologia que é usada em outros países, onde você vai com o drone, com a sirene de alerta até a casa do predador?”, afirmou.

A proposta foi novamente questionada pela jornalista, que observou que grande parte dos casos de feminicídio acontece dentro de casa.

Cury respondeu que o drone poderia chegar antes dos policiais e emitir uma sirene de alerta.

“Porque se aciona na delegacia, ele sai da delegacia antes do policial e ele faz uma sirene de alerta. E isso pode evitar que o predador que age rapidamente possa matá-la ou agredi-la”, disse.

Diante dos questionamentos sobre a viabilidade dos drones em todo o país, Cury pediu que o foco fosse direcionado ao aplicativo.

“Esqueça a questão do drone, por favor, pense num aplicativo que possa ter uma resposta mais rápida”, afirmou.

“O objetivo é proteger as mulheres”

Cury argumentou que uma ferramenta digital poderia facilitar o pedido de socorro, especialmente em situações em que a vítima encontra dificuldade para falar ou denunciar a violência.

Segundo ele, o contato tradicional com uma pessoa para registrar uma denúncia pode ser difícil para mulheres que estejam vivendo uma situação de medo ou ameaça.

“Há um desânimo, há uma angústia e é uma dificuldade tão grande de falar da sua dor em relação ao predador, que muitas mulheres são mortas e não dá tempo”, declarou.

Para o candidato, um botão de alerta poderia permitir que a polícia fosse acionada de maneira mais rápida.

“Se tiver um aplicativo, certamente esse botão de alerta faz com que policiais sejam acionados mais rapidamente para socorrer”, afirmou.

Cury também reforçou que considera a proteção das mulheres uma questão que vai além do feminicídio.

“Eu sou muito preocupado, desde 2002, quando eu escrevi o livro ‘A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres’, eu defendo a causa das mulheres”, disse.

Cury cita diferenças entre homens e mulheres

Durante a entrevista, o candidato também apresentou outros números para argumentar que a violência contra as mulheres não se limita aos casos de feminicídio.

“Você sabia que as mulheres pagam 4% a mais de juros que os homens, embora sejam melhores pagadoras?”, questionou.

Em seguida, afirmou que mulheres também receberiam salários menores mesmo quando possuem qualificação semelhante para as mesmas funções.

“Você sabia que as mulheres recebem 21% a menos que os homens, embora tenham a mesma qualificação pelos mesmos trabalhos?”, declarou.

Ao concluir sua fala sobre o tema, Cury ampliou a discussão para outras formas de violência e desigualdade.

“Então, o problema não é só feminicídio, as mulheres são violentadas nas mais diversas formas. Elas têm de ser protegidas”, afirmou.

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